quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Faz-me um poema...

Faz-me um poema!
Sussurra-o ao meu ouvido,
Em segredo.
Abraça-me e diz-me
O que eu quero ouvir.
Beija-me!
Como se não houvesse amanhã

E nada mais importasse à nossa volta,

Como se tivéssemos todo o tempo,
E como se o nosso desejo não se esgotasse

Nas palavras que nunca dissemos

Mas que adivinhamos

Em cada novo verso,

E que sonhamos ouvir.
(Vera Silva -
www.luso-poemas.net)


Este não foi o poema que eu escrevi. Foi o poema que eu senti, que eu pensei, e que alguém, antes de mim, encontrou as palavras ideais para o compor. E se utilizei a palavra compor e não escrever, não foi por acaso.
Para mim, quando um poema é bom, traz uma melodia consigo. Uma melodia que ninguém consegue descrever, que varia de pessoa para pessoa, mas que nos toca de um modo particular.
E este poema, de uma pessoa que não conheço, fez soar em mim uma melodia triste... Até porque relembrei, com vergonha, que nunca ninguém me fez um poema...

sábado, 14 de julho de 2007

Encosta-te a mim....





Encosta-te a mim...
Nós já vivemos cem mil anos
Encosta-te a mim...
Talvez eu esteja a exagerar
Encosta-te a mim...
Dá cabo dos teus desenganos,
Não queiras ver quem eu não sou,
Deixa-me chegar...

Chegar da guerra...
Fiz tudo p'ra sobreviver
Em nome da terra,
No fundo p'ra te merecer.
Recebe-me bem...
Não desencantes os meus passos,
Faz de mim o teu herói,
Não quero adormecer...

Tudo o que eu vi,
Estou a partilhar contigo...
O que não vivi,
Hei-de inventar contigo...
Sei que não sei,
Ás vezes entender o teu olhar...
Mas quero-te bem...

Encosta-te a mim...

Encosta-te a mim...
Desatinamos tantas vezes,
Vizinha de mim,
Deixa ser meu o teu quintal.
Recebe esta bomba,
Que não está armadilhada,
Foi comprada, foi roubada,
Seja como for...

Eu venho do nada,
Porque arrasei o que não quis.
Em nome da estrada,
Onde só quero ser feliz.
Enrosca-te em mim...
Vai desarmar a flor queimada,
Vai beijar o homem-bomba,
Quero adormecer...

Tudo o que eu vi,
Estou a partilhar contigo...
E o que não vivi,
Um dia hei-de inventar contigo...
Sei que não sei,
Ás vezes entender o teu olhar...
Mas quero-te bem...

Encosta-te a mim.. ç


Jorge Palma - Voo Nocturno (2007)

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Já perdi o sabor dos teus beijos











Já perdi o sabor dos teus beijos,

e não posso precisar a cor dos teus olhos.


Se eu te disser que sou meia-tua, faz sentido?

Provavelmente, tanto como tudo na nossa história.

Um punhado de momentos mágicos, que me fizeram acreditar.

Acreditei sem querer, juro!...


Sabes?

Há momentos em que faço planos para nós.

Imagino o nosso reencontro,

marco o dia e a hora.


Sinto-me fraca, aí,

por não conseguir deixar de pensar em ti.


Quero voltar atrás e não te conhecer.


Sabes?

Uma noite, senti-te comigo...

Senti-te a caminhar comigo...

Algo mágico mas real aconteceu.

Senti que nos perdemos juntos...

Nessa noite, pensei que tinha trazido comigo, um bocadinho de ti.


Depois perdi-te.

Não percebi quando, nem como.

E ao perder-te, perdi-me também.

Porque afinal, nessa noite, não trouxe um bocadinho de ti...

Nessa noite, deixei contigo muito de mim...


E se, dias depois, encontrei um porto seguro.

forte, calmo, doce e apaixonado,

não foi aí que me encontrei...

Porque não é o meu porto,

a minha paixão és tu,

e ainda não devolveste a parte que tens de mim!



Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Esta noite é nossa...




Esta noite é nossa.


O teu sorriso abre-se só para mim,

E os teus olhos mostram-me.


As tuas mãos descobrem os meus segredos

E os teus braços guardam-me em ti.


Como barco perdido, navegas no mar do meu corpo…


Embrulhados na espuma das ondas,

Percorremos minutos de mar…

Tomamos a lua, num momento só nosso.


E o teu corpo encontra-se em mim,

Descobre o rumo nas minhas correntes.


Enlaçam-se os corpos,

Prendem-se as amarras,

Soltam-se as âncoras,

Ao chegar ao porto seguro.

Esperei por ti, sem saber;

Chamei por ti, sem te ver;

Vi-me em ti, sem querer;

Quis-te, sem poder…

Esta noite era nossa…


Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Perdida em ti




Perco-me dentro de ti sem nunca te ter percorrido.


O mar dos teus olhos liberta-me e prende-me,

Como uma mão que se abre fechada.


A lua segue, de longe, o meu respirar,

Que se apressa sozinho porque não estás aqui.


E os teus lábios, hoje, não me dizem nada…

Não se abrem para mim, não dizem o que quero ouvir,

Não dizem nada…


A música que me guarda esta noite perdeu o tom.

Guitarras tocam, desgarradas, melodias que não conheço,

E a minha voz enlouquece, cantando errante.


Hoje, perdi-me em ti.



Sábado, 14 de Abril de 2007